quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Vida e Sexo - Comentário do estudo de 09/01/2011

Estiveram presentes: Bruno, Maryanna, Paulo e Regiane.

Livro: Vida e Sexo (Francisco Cândido Xavier; espírito Emmanuel)
Caps. 5 - Energia Sexual; 19 - Amor livre; 20 - Controle Sexual; 6 - Compromisso afetivo

De modo geral, a discussão girou em torno da problemática da sexualidade nos espíritos no que tange a energia sexual, a responsabilidade com o uso dessa energia e, por consequência a responsabilidade com os espíritos que estabelecemos relações sexuais.
Energia sexual pode ser entendida como uma força criadora inerente à vida, que gera descargas magnéticas em todos os seres. Essa descarga opera de maneira distinta: nos espíritos que estão “situados nos primeiros degraus da emoção e do raciocínio”, que lhe assinalam resultados angustiosos levando-os a fixação em existências menos felizes, acarretando prejuízos aos outros e, consequentemente, a si mesmo. Cabe notar que, Emmannuel se refere a estes espíritos como primitivos. Entendemos que ele está se referindo a espíritos impregnados na materialidade, em que a energia sexual prosta-se às necessidades materiais, ou instintivas. Nos espíritos mais depurados, tais descargas, operam como imperativo de discernimento e responsabilidade do uso dessa energia na criação de obras beneméritas, que assegurem a constituição da família, “da sensibilidade e da cultura para a reprodução e extensão do progresso e da experiência, da beleza e do amor, na evolução e burilamento da vida no planeta.” A Energia sexual está, por isso mesmo, em controle pelos valores morais.
Esse desenvolvimento, a respeito da Energia sexual, orientou todo o restante da discussão.
Neste mesmo capítulo é apontada uma dualidade, com intenção de exemplificar, que parece direcionar melhor essa distinção a respeito da manifestação da Energia sexual nos espíritos: a Monogamia e a Poligamia.
Entendemos, durante a discussão, que estes termos dizem mais que a definição comum que temos deles. Não parece que a Poligamia, se refere apenas àquelas culturas em que um homem pode, legalmente, se casar com mais de uma mulher. Entendemos Poligamia como qualquer prática em que o espírito não cumpre lealdade a um par, e que, segundo o que interpretamos do livro, deve cumprir um ajustamento afetivo com o outro – como no caso do que ele chama de Monogamia. (Pensamos como exemplo do que Emmannuel parecia evocar com o termo Poligamia, os Hippies dos anos 60, que pregavam o “amor livre” e que grosso modo o sexo era praticado com várias pessoas como expressão do amor.)
Esses termos estiveram presentes no estudo o tempo todo por serem bons para pensar a questão mais geral, e suscitou questões importantes. As questões que resumem o debate suscitado são as seguintes: a) Como dizer da monogamia como sendo a “experiência ideal” ou uso ideal da energia sexual? b) Como poder dizer das experiências particulares a respeito dos compromissos afetivos? c) Como encontrar uma lei que poderia afirmar que determinada prática “poligâmica” não contêm responsabilidade ou compromisso afetivo ainda mais quando há acatamento e responsabilidade de ambas as partes numa relação deste tipo?
No capítulo 19, sobre o “Amor livre”, aparece uma relação da Poligamia com a sensualidade, com os “impulsos genésicos” que acometem os espíritos em relação com a matéria (referência a questão 701 do Livro dos Espíritos que diz que a Poligamia é uma “lei humana cuja abolição marca o progresso da sociedade”). Já a Monogamia refere-se a afeição de dois seres que se unem, para além de imposições legais do casamento, desde que seja uma dupla. O “ajuste afetivo entre duas pessoas” está ligado a termos como: impositivo do respeito; fidelidade natural; – “ante os compromissos abraçados, seja para constituição do lar, seja para a constituição de obras e valores do espírito.” A questão que apareceu na discussão foi sobre se esses valores do Espírito; valores morais; a fidelidade natural, serem pressupostos da monogamia.
A ruptura da dupla “corre à conta daquele que empreendeu, com aceite compulsório das conseqüências que advém de semelhante resolução.”. Essa ideia é desenvolvida no capítulo “Compromisso afetivo”. O Compromisso afetivo deve criar leis no coração que não danificarão os sentimentos alheios. É importante a respeitabilidade dos interesses alheios e a responsabilidade com o outro, que senão assim, é entendia como contravenção à Lei do Amor. Tal contravenção recai na Lei (divina) de causa e efeito, e o ser que, na busca desenfreada pelo prazer próprio, prejudica os sentimentos alheios impelindo a processos de angústias, sofrerá as conseqüências disso. Segue um trecho do capítulo 6: “No convite a comunhão sexual pautada na confiança e afinidade, estabelece-se entre ambas um circuito de forças, pelo qual a dupla se alimenta psiquicamente de energias espirituais, em regime de reciprocidade. Na fuga do compromisso assumido, sem razão justa, lesa o outro na sustentação do equilíbrio emotivo. Se o parceiro prejudicado não dispõe de conhecimentos superiores, entra em pânico sem que se lhe possa prever o descontrole que, muitas vezes, raia na delinqüência.”.
Uma questão que novamente surge foi sobre o porquê a comunhão sexual com base na confiança e afinidade pressupõe o monogamismo. Seria possível desenvolver tal comunhão com mais de um parceiro ou parceira? Na monogamia é mais fácil de realizar tal espécie de comunhão?
Por último, no capítulo “Controle sexual”, é trabalhado uma ideia de Mundos sexuais dos espíritos. Eles se dividem no mundo de Evolução primária, onde se dão processos de ligações irresponsáveis - ou a Poligamia, e onde os espíritos são “próximos da selva, remanescentes próximos da convivência com os brutos”; e no mundo dos Espíritos conscientes “integrado pelas consciências que a verdade já iluminou”, onde os espíritos são “levantados para a visão panorâmica dos deveres que nos competem”, onde há elevação dos impulsos sexuais e a educação dos impulsos pelos mecanismos de contenção. Ficamos curiosos para entender melhor esses “mecanismos de contenção”, contudo, até onde estudamos o livro não aprofundou esse termo.

Espero que contribua e, esperamos tod@s na próxima reunião.

Grande abraço!
Bruno

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