sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Sexo nos Espíritos e Lei de Reprodução

O Livro dos Espíritos

- Segunda Parte - Capítulo IV: "Pluralidade das Existências" - Item: "Sexo nos Espíritos".
Discutimos sobre os espíritos possuírem algum tipo de diferenciação sexual e acordamos que, já que Os Espíritos colocam a diferenciação apenas útil para que haja a reprodução, os espíritos não teriam sexo (no sentido da diferenciação). Contudo, quando perguntados se os espíritos possem sexo, Os Espíritos respondem que "não como entendeis". Entendemos nessa passagem a ideia de sexo como a capacidade criadora no sentido artístico/cultural.

- Terceira Parte - Capítulo IV: "Da Lei de Reprodução" - capítulo todo.
693 e 694 - Os Espíritos colocam que tudo o que tem por fim ou por efeito criar obstáculos à reprodução é contrário a lei natural.  Discutiu-se e acordou-se que, apesar de não ter por finalidade mas por efeito, a homossexualidade de alguma maneira representava uma dificuldade para a reprodução, bem como métodos contraceptivos. Mais ainda, Os Espíritos afirmam que tudo o que é feito de forma que entrave a reprodução em prol da satisfação da sensualidade seria uma afirmação da predominância do corpo sobre a alma, sendo também contrária a conduta do homem de bem. Logo, novamente os métodos contraceptivos e as relações homoafetivas não estariam de acordo com a doutrina.

695 - Os Espíritos afirmam que a união de dois seres é um progresso, dando a entender que qualquer união, independente do sexo biológico ou identidade de gênero.

697 - O divórcio não é um problema, segundo Os Espíritos.
Nota: Vale ressaltar que o capítulo trata sobre lei de reprodução, então também é razoável entender que a resposta dada na pergunta 695 pode se referir apenas a uniões em que a reprodução é possível.

700 - Os Espíritos citam a igualdade numérica entre seres dos dois sexos tem uma finalidade (subentende-se: a união).

Aqui, Kardec e Os Espíritos condenam a satisfação sexual e, portanto, a poligamia (que teria por finalidade somente a satisfação sexual).

5 comentários:

André disse...

Acho que esse capítulo do LE é nossa fonte principal para pensar a sexualidade segundo o Espiritismo.
Existe ainda uma vertente que pensa a questão a partir de questões energéticas, mas tenho a impressão que não há nenhuma referência sobre isso no Kardec. Vi que isso era tema da Prévia das COMEs, caso alguém tenha referências bibliográficas sobre essa questão, agradeceria se compartilhasse.

Beatriz Manieiro disse...

Você quer a bibliografia da Prévia?

Ser for está aqui:
BARCELOS, W. Sexo e Evolução. Cap. 2, 6-10, 14.

FRANCO, D. P. Sexo & Obsessão, pelo Espírito Filomeno de Miranda. Cap. 3 e 15.

KARDEC, A. Livro dos Espíritos. Parte I - Cap. 4: Inteligência e Instinto (questões 73 – 75ª) e Transmigração Progressiva (questão 192); Parte II - Cap. 4: Sexo nos Espíritos (questões 200 – 202); Cap. 8 Sono e Sonhos (questões 401, 402, 406, 414); Parte 3 - Cap. 4: Lei de Reprodução (questões 686, 694, 698, 699, 701); Cap. 10: O livre-arbítrio (questões 833, 834, 837, 843).

OLIVEIRA, Wanderley. Reforma Íntima sem Martírio, pelo Espírito E. Dufaux. Cap 7.

RANIERI, R. A. Sexo além da Morte, Orientado pelo espírito André Luiz.

XAVIER, F. C. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz. Primeira Parte: Cap. 6, 10 e 18; Segunda Parte: Cap. 12, 16.

____________. Vida & Sexo, pelo Espírito Emmanuel.

____________. Mecanismos da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. Cap XXI (Desdobramento) e XXV (Prece; itens 3-5)

André disse...

Bia, eu tenho o Temário das COMEs. O que eu pedi são referências específicas sobre uma possível realidade energética/fluídica associada à sexualidade. Ouvi dizer que isso teria sido tema da prévia, então imagino que dentro dessa longa bibliografia, hajam textos específicos sobre esse aspecto. Será que alguém (principalmente algum monitor da prévia) saberia indicar algum?

Gabriel Lima disse...

Vida e Sexo – Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel
Capítulo 6 – Compromisso afetivo:

O dever íntimo do homem fica entregue ao seu livre arbítrio. O aguilhão da consciência, guardião da probidade interior, o adverte e sustenta; mas, muitas vezes se mostra impotente diante dos sofismas da paixão. Fielmente observado, o dever do coração eleva o homem; porém, como determiná-lo com exatidão? Onde começa ele? O dever principia sempre, para cada um de vós, do ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vossa. Do item 7, no Cap. XVII, de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" A guerra efetivamente flagela a Humanidade, semeando terror e morticínio, entre as nações; entretanto, a afeição erradamente orientada, através do compromisso escarnecido, cobre o mundo de vítimas. Quem estude os conflitos do sexo, na atualidade da Terra, admitindo a civilização em decadência, tão só examinando as absurdidades que se praticam em nome do amor, ainda não entendeu que os problemas do equilíbrio emotivo são, até agora, de todos os tempos, na vida planetária.
As Leis do Universo esperar-nos-ão pelos milênios afora, mas terminarão por se inscreverem, a caracteres de luz, em nossas próprias consciências. E essas Leis determinam amemos os outros qual nos amamos.

Para que não sejamos mutilados psíquicos, urge não mutilar o próximo. Em matéria de efetividade, no curso dos séculos, vezes inúmeras disparamos na direção do narcisismo e, estirados na volúpia do prazer estéril, espezinhamos sentimentos alheios, impelindo criaturas estimáveis e nobres a processos de angústia e criminalidade, depois de prendê-las a nós mesmos com o vínculo de promessas brilhantes, das quais nos descartamos em movimentação imponderada. Toda vez que determinada pessoa convide outra à comunhão sexual ou aceita de alguém um apelo neste sentido, em bases de afinidade e confiança, estabelece-se entre ambas um circuito de forças, pelo qual a dupla se alimenta psiquicamente de energias espirituais, em regime de reciprocidade.

Quando um dos parceiros foge ao compromisso assumido, sem razão justa, lesa o outro na sustentação do equilíbrio emotivo, seja qual for o campo de circunstâncias em que esse compromisso venha a ser efetuado. É dada a ruptura no sistema de permuta das cargas magnéticas de manutenção, de alma para alma, o parceiro prejudicado, se não dispõe de conhecimentos superiores na auto-defensiva, entra em pânico, sem que se lhe possa prever o descontrole que, muitas vezes, raia na delinqüência. Tais resultados da imprudência e da invigilância repercutem no agressor, que partilhará das conseqüências desencadeadas por ele próprio, debitando-se-lhe ao caminho a sementeira partilhada de conflitos e frustrações que carreará para o futuro. Sabemos que a Justiça Humana comina punições para os atos de pilhagem na esfera das realidades objetivas, considerando a respeitabilidade dos interesses alheios; no entanto, os legisladores terrestres perceberão igualmente, um dia, que a Justiça Divina alcança também os contraventores da Lei do Amor e determina se lhes instale nas consciências os reflexos do saque afetivo que perpetram contra os outros. Daí procede a clara certeza de que não escaparemos das equações infelizes dos compromissos de ordem sentimental, injustamente menosprezados, que resgataremos em tempo hábil, parcela a parcela, pela contabilidade dos princípios de causa e efeito. Reencarnados que estaremos sempre, nesse sentido, até exonerar o próprio espírito das mutilações e conflitos hauridos no clima da irreflexão, aprenderemos no corpo de nossas próprias manifestações ou no ambiente da vivência pessoal, através da penalogia sem cárcere aparente, que nunca lesaremos a outrem sem lesar a nós.

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Dentre dos textos da prévia, este é o que foca a realidade energética/fluídica associada à sexualidade.

Abraços...

André disse...

Esse o texto que fala mais diretamente sobre a parte energética? Me parece muito pouco por dois motivos:

1. as referências a "circuito de forças", "energias espirituais", "permuta de cargas magnética", entre outras, pode ser visto de forma metafórica ou, ao menos, sem realidade material. O texto é cheio de metáforas essas são apenas algumas...

2. Essas metáforas só aparecem no texto após a colocação de uma hipótese: "Toda vez que determinada pessoa convide outra à comunhão sexual ou aceita de alguém um apelo neste sentido,em bases de afinidade e confiança..." (grifo meu).
Ou seja, o texto afirma que essa relação energética só se estabelece quando a comunhão sexual se dá em em bases de afinidade e confiança.... E para os outros casos? E para as relações sexuais que não se fundam em relações afetivas sólidas, mas somente na busca pelo prazer sensual?